5 Insights do maior evento do mundo de tecnologia – WebSummit
- UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
- 11 de fev. de 2019
- 5 min de leitura
Atualizado: 27 de fev. de 2019

Nos dias 5 a 8 de novembro de 2018 tive o prazer de fazer minha primeira viagem internacional e como a maioria das minhas outras viagens, essa tinha como foco me capacitar e também conhecer novos lugares e culturas. O destino foi o Web Summit - o maior evento de tecnologia do mundo que ocorreu em Lisboa, reunindo mais de 50.000 participantes dos mais diversos países e áreas da tecnologia.
O Web Summit ocorreu na Altice Arena, um dos cartões postais de Lisboa, possuindo uma estrutura para eventos sensacional e uma organização de logística e infraestrutura que supera, e muito, todos os nossos eventos que temos no Brasil.

Dividido em quatro pavilhões imensos com os mais belos stands das maiores empresas de todo mundo como Google, Microsoft, IBM, Samsung, Facebook. Nos pavilhões também expostos mais de 2000 startups de todos os tamanhos e níveis de maturidade, além de vários palcos com diversos conteúdos em inovação. Além dos pavilhões, uma arena gigantesca suporta mais de 50000 pessoas, e vários palcos externos para dividir o público.
Foram 21 conferências ocorrendo simultaneamente, tratando das mais diversas temáticas como Panda Conf (Marketing Digital), FullStack (Conteúdos para Desenvolvedores), Surf Summit (Só uma competição de surf mesmo), dentre outras.

O evento é como a internet, te bombardeando de informação a todo tempo, a ponto de, se não escolher qual caminho seguir entre Networking, Conteúdos, Visita a Stands, corria o risco de ficar completamente perdido. Gastei o primeiro dia de evento inteiro somente para conhecer todos os pavilhões, stands e o palco principal.
Dada a introdução para tentar demontrar a grandeza e importância do evento, vamos ao que interessa passar ao leitor da Undertake: o que eu consegui extrair de toda essa magnitude que é o Web Summit:
1 – Inteligência Artificial é a maior tendência
Eu fiquei impressionado como a maioria do conteúdo apresentado nas mais diversas conferências sempre tratava de um tema em comum: inteligência artificial. Ficou bem claro que a comunidade tecnológica mundial está de olho no que os novos modelos de inteligência podem trazer para as mais diversas aplicações, como extraído da talo do presidente mundial da Samsung “Os novos modelos de inteligência serão a próxima grande revolução no nosso mundo, nós temos duas escolhas nos juntar a eles, ou simplesmente desaparecer”. Além disso, presenciei a palestra do Ham e da Sophia, os dois Robôs da Hanson Robotics e fiquei me sentindo dentro de um filme extremamente futurista por muito tempo. Ver robôs que parecem muito com humanos, conversando e interagindo em um palco foi muito Black Mirror pra mim, mas foi completamente fantástico. O detalhe é que os Robôs da Hanson estão ligados na Singularity network, que é basicamente toda a internet do mundo, ou seja, a mente deles é composta por toda a informação que a internet pode ter. Os sentimentos foram de medo e êxtase mesclados o tempo todo. Mas enfim, se você quer se capacitar em algo que já é e será cada dia mais tendência, aprenda inteligência artificial e automatize e otimize processos do dia a dia!
2 – Se você não souber inglês, você não tem acesso ao melhor conteúdo disponível.
No Brasil, mesmo os eventos que tem palestras ou qualquer tipo de interação em inglês são disponibilizados fones de tradução para que mesmo quem não tenha acesso a língua possa participar. No Web Summit todo contato com outras pessoas, quanto as palestras, stands tudo é em inglês e sem fone de tradução, ou seja se você não sabe a língua você simplesmente não tem acesso a todo aquele mundo que existe ali. Foi uma ótima experiência para treinar meu inglês e ficar 5 dias totalmente imersivo na língua, conversando com pessoas de diversos sotaques, países e culturas. Foi sensacional!
3 – Inovação em grandes corporações é uma tendência
Como trabalho com inovação em uma grande empresa, esse é um dos assuntos que mais me interessa hoje, e no Web Summit foi muito discutido de como grandes empresas, independente da idade e tamanho podem se reinventar rumo a uma cultura mais flexível e mais inovadora com adequação de tecnologias exponenciais e novos modelos de negócio. Em todos os painéis que participei com C – Levels das maiores empresas do mundo como Coca-Cola, GE, Huawei, Carlsberg entre outras a definição sobre inovação coorporativa é a mesma: Inove ou morra. Consegui trazer diversos insights sobre essa temática mas os que mais me marcaram foram:
● Utilize de inovação aberta e fechada para ter maior eficiência operacional, através de melhoria de processos/transformação digital.
● Cultura é importante, mas inovação precisa trazer resultados tangíveis. Então metrifique todas as ações que executar de inovação, e sempre revise as métricas.
● Inovação ainda é um tema que mesmo as maiores empresas do mundo ainda estão aprendendo a lidar. Não se preocupe se é difícil de implementar na sua empresa, crie boas redes de relacionamento para troca de boas e más práticas, pois todo mundo ainda está aprendendo.
● Traga consultorias e pontos de vistas externos quando necessário, as vezes o viés da empresa pode ser prejudicial para implementação da inovação interna.
4 – Brasileiro adora conversar com brasileiro no exterior.
Há algum tempo eu já tentava algumas relações comerciais com organizações maiores no Brasil como Apex, ABDI, entre outras. E sempre havia dificuldade, ou quando conseguia acessar alguém da equipe, não conseguia acessar um tomador de decisão. Em Lisboa o cenário mudou completamente, nós brasileiros gostamos de encontrar outros lá fora, o que me possibilitou ótimas oportunidades de networking, inclusive conseguindo converter o famoso papo rápido de evento em reuniões e em negócios. Fica a dica, se estiver tentando uma relação a muito tempo com alguém aqui no Brasil e estiver com dificuldade, tentar encontrar em algum evento lá fora pode ser uma excelente oportunidade.
5 - O nosso conhecimento não está tão defasado quanto eu imaginava
Eu achava que o evento lá fora ia apresentar conteúdos totalmente diferente dos eventos aqui, que iria ser bem mais avançado/técnico do que aqui. Mas estando lá, não senti muito essa diferença. As macro temáticas são as mesmas que estamos vendo por aqui:
● Iot;
● Inteligência Artifical;
● Realidade Aumentada;
● Impressão 3D;
● Robótica
● Drones
● Entre outros
A grande diferença é na visão tecnológica e de produto, que aqui no Brasil temos conhecimentos das tecnologias que estão em alta, mas não vemos tanta aplicação nas nossas startups/empresas. E com certeza isso temos que aprender melhor lá de fora.
6 – Bônus : O Brasil se posiciona muito mal como país inovador.
Em um dos pavilhões do evento tínhamos praticamente só estandes dos governos dos mais variados países, de Japão às ilhas madeiras, expondo suas iniciativas para atrair talentos, construir ecossistemas de inovação mais maduros, incentivos para startups irem para os respectivos países entre várias outras. Já o Brasil, tínhamos um espaço falando sobre a internacionalização da Apex e do programa startout. O que não representa nem 10% do que nossa comunidade tem de potencial para expor lá fora. Foi decepcionante.
Os dias em Portugal foram maravilhosos e indico para os amantes de tecnologia e que tiverem a possibilidade participar de eventos lá fora. Foi de extrema importância pessoal por explorar minha autoridade no tema inovação. Para esse ano, participar de novo do Web Summit e no SXSW em Austin no Texas são as próximas paradas.
Abraços e muita inovação para vocês !

Rafael Pelli é Analista de Inovação na Usiminas, facilitador e mentor de eventos de inovação. Acredita que a melhor forma de transformar o nosso mundo e as pessoas que vivem nele é através da ciência, tecnologia e inovação. Possui experiência com métodos inovadores, metodologias ágeis, inovação aberta, comunidades de startup e projetos de inovação.
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