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Sabemos procrastinar a procrastinação?

  • Foto do escritor: UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
    UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
  • 9 de jan. de 2019
  • 5 min de leitura

Atualizado: 18 de jan. de 2019

O inicio de um ano é caracterizado automaticamente por um período em que traçamos inúmeras metas e objetivos, sejam estes profissionais ou pessoais. Uma vez que esses conceitos carregam consigo o tempo como marcador, isso é normal, certo?


Porém, entender algumas dessas atividades como trabalhosas ou desprendidas de um significado claro para serem concluídas pode fazer com que alguns indivíduos as posterguem por tempo indeterminado.


E aí o que acontece? Somos pegos pela procrastinação.


O ato de procrastinar configura o deferimento ou adiamento de uma ação. Em um artigo da revista Mente e Cérebro de Agosto de 2018, o economista Piers Steel, da Universidade de Calgary, nos Estados Unidos, apurou que dois a cada 10 adultos postergam suas atividades corriqueiramente mesmo sabendo que a melhor opção seria enfrentar imediatamente.


O ciclo da procarastinação.

Jana Kühnel, psicóloga da Universidade de Ulm, na Alemanha, afirma “Um ato deve ser constantemente protegido de alternativas atraentes”, em que podemos entender como atrativo, por exemplo, apenas uma ida até a geladeira ou aquela olhadinha nas redes sociais. Sendo assim, a procrastinação pode ser traduzida pela substituição de metas de longo prazo por projetos mais sedutores e de curto prazo. Essas distrações fazem com que percamos nosso foco nos objetivos principais e o resultado é o esgotamento. É como se a ausência de um estado emocional adequado para suportar a espera da recompensa principal fizesse com que buscássemos as gratificações menores, mesmo que estas gerem apenas satisfação imediata.



Ainda, considerando que a procrastinação é um aspecto da impulsividade, estamos falando da incapacidade de controlar impulsos por parte de quem atrasa a decisão de fazer algo. Quando a ocasião de retardar uma tarefa passa a ocorrer repetidas vezes interferindo em nossa produtividade e consequentemente em nossa vida, eis que temos um problema.


E ninguém quer isso, concordam?


No entanto, a popular frase “não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje” não tem origens tão simples. Então vamos conhecer um pouco mais sobre o hábito de adiar tarefas. As raízes da procrastinação são inúmeras e podem estar associadas a distúrbios psicológicos e fisiológicos. A procrastinação funcional, por exemplo, não é tão ruim assim. Nesse caso, adiar intencionalmente e de forma controlada uma atividade pode ser visto como o ato de fazer pequenas pausas, ou seja, permitir um micro-intervalo durante a realização da tarefa principal, e isso não o torna necessariamente um procrastinador. Já quando a circunstância começa a ocorrer de maneira descontrolada e gera grande sofrimento ao individuo, temos a procrastinação disfuncional.


Diante disso, as principais raízes deste hábito são:

  1. Medo

  2. Perfeccionismo

  3. Dificuldade em iniciar

  4. Desmotivação


O medo nesse caso, pode ser segregado em medo de errar, medo do sucesso e medo do resultado. Quando vamos fazer uma tarefa que consideramos muito importante ou que nunca realizamos antes, temos o receio constante de falhar e com isso vamos postergando a atividade. Como por exemplo, quando precisamos preparar um evento e achamos que isso está além de nossas capacidades. Já o medo do sucesso ocorre quando temos a convicção de não sermos suficientemente qualificados para executar alguma ação. Por último, o medo do resultado, em que o adiamento se deve ao receio do efeito não ser positivo. Porém quanto mais a atividade for atrasada menos saberemos o grau de satisfação como o produto final, ou seja, nesse ou nos demais tipos de medo, só será possível avaliar, gerar aprendizado e promover melhorias se a entrega for de fato efetuada.


O perfeccionismo está pautado nas expectativas que criamos acerca de determinado objetivo almejado, traduzidas por um ideal perfeito. Aí é que está a questão, quase sempre o efeito não é o que esperamos, as vezes melhor, as vezes pior. Sendo assim, o distanciamento entre a expectativa e a realidade pode nos levar a procrastinar as ações necessárias. A realidade é que perfeito ou não, um resultado entregue e que pode ser melhorado é muito melhor do que resultado nenhum.


A terceira raiz que mencionamos é a dificuldade em iniciar, na qual se busca condições ideais para começar algo ou inventamos as mais variadas desculpas: “posso pesquisar mais”, “ainda há bastante tempo” ou “penso melhor em determinado período”, mas esse momento nunca chega e a tarefa é adiada indefinidamente. Enquanto isso, o tempo não espera e diversas vezes as circunstâncias ideais que estamos aguardando estão fora do nosso controle. Temos assim uma verdade absoluta: o que realmente precisamos é, começar!


A motivação é outro fator crucial para a conclusão de uma tarefa, sendo assim, a falta dela pode levar à procrastinação. Para encontra-la, é necessário descobrir o porquê de estar realizando determinada atividade, isto é, qual é o seu propósito? A resposta a essa pergunta irá agregar um significado ao objetivo que está nos planos. Em contrapartida, nem sempre iremos gostar do que temos que fazer, é verdade, mas se há um propósito legítimo, fica consideravelmente mais tangível obter um resultado final. Por exemplo, preparar este artigo fez com que eu conhecesse mais sobre o assunto e fará com que outras pessoas aprendam algo novo, ambos conferiram significado à tarefa e com isso, motivou. Encontre seu propósito! Entretanto, quando não for possível identificar um significado claro, se concentrar em concluir e entregar o que precisa já pode se transformar na motivação necessária naquele momento.


E qual o impacto que a procrastinação pode ter em nossas vidas?


Adiar as atividades essenciais constantemente resulta em estresse, angústia, sentimento de culpa, prejudica relacionamentos e a carreira, diminui a determinação, dificulta a produtividade e causa constrangimento perante aos outros por não ter cumprido seus compromissos e responsabilidades.

Assim sendo, empenhar-se em realizar o que é preciso exige comprometimento e esforço. Diante disso, seguem algumas técnicas testadas por psicólogos para driblar a procrastinação publicadas pela Mente e Cérebro (Agosto/2018):


- Respirar. Isso mesmo, se concentrar na inspiração e expiração do ar por alguns minutos mostrou-se extremamente eficiente para acalmar os pensamentos e organizar as prioridades. Lembrando que nessa técnica de meditação a pessoa se senta em uma posição confortável e com a coluna ereta;


- Dividir as tarefas. Alguns neurocientistas sugerem que dividir as tarefas em partes menores, cada uma com seus próprios prazos, faz com que isso soe mais imediato e concreto. Pois uma das razões para postergarmos o que devemos fazer é que nossas metas em geral são grandes e vagas, tornando-as intimidadoras e desagradáveis;


- Não se castigar. Caso tenha adiado ou entregou um projeto pior do que gostaria não adianta se repreender. Se castigar dá a entender para a pessoa que ela já “pagou” pela falha cometida ao procrastinar. Quando na verdade praticar o reconhecimento do erro gera o sentimento de aprendizado com a experiência, tendendo a não repeti-lo em sua próxima tarefa;


- Pensar no “Eu do futuro”. Imagine o sofrimento ocasionado por não cumprir a tarefa no prazo, se conectar com “dor” daquilo que eu vou sofrer por não realizar a meta dentro do prazo;


- Comemorar. Estabelecer recompensas após terminar o que deveria ser feito. Um método existente é o “tempo conquistado”, no qual a pessoa poder desfrutar de atividades prazerosas a ela quando realiza as atividades necessárias antes do prazo.


- Escolher. Por mais difícil que possa parecer o trabalho a ser cumprido, temos mais chances de persistir quando sentimos que é uma escolha a sua realização. Dessa forma, ficamos mais confiantes de que podemos enfrentar as adversidades do caminho.


- Mudar a maneira de enxergar os prazos. Criar um calendário que considere os prazos apenas como dias corridos e não meses evita o atraso no cumprimento da atividade, uma vez que interrompe o pensamento “tenho até o mês seguinte”.


Mudar um hábito não é fácil, portanto se adiar uma tarefa repetidamente tem sido uma prática rotineira devemos ficar atentos e lançar mão de estratégias para muda-la. Para isso, dois ingredientes são essenciais e podem ser aprimorados com a prática: o autoconhecimento e o autocontrole.


No entanto, psicólogos afirmam que quando os adiamentos tornam-se frequentes demais pode ser indicativo de que algo mais amplo esteja ocorrendo e é necessário até mesmo avaliar se aqueles objetivos almejados condizem com o que buscamos da vida.



Por isso, se tiver que adiar alguma coisa na vida, que seja a procrastinação!



 
 
 

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